Alguém me disse uma vez que vivo fazendo tudo para agradar as pessoas. Que minha carência me compele a me fazer 'agradável', palatável. Da mesma forma, minha carência e necessidade de atenção me compelem a ser desagradável, a polemizar sobre picuinhas, até mesmo a ser falso e me fazer interessante às custas dos outros, de sua confiança. Admito que tudo isso tem muita verdade, mas é sempre duro ver como as pessoas te enxergam, de uma forma mais analítica. Felizmente essa pessoa me é muito confiável, sincera até os ossos, alguém em quem posso encontrar conselhos sinceros. Mas...
Eu não me considero uma pessoa desagradável. Não, sou até muito agradável. Escuto as pessoas, suas lamúrias, posso ser um ombro amigo muito sincero. E confidente. Sim, seus segredos estão a salvo comigo. Não brinco com seus sentimentos e posso ser leal até a morte. Sou parte de você se você me abrir a porta, mas sempre estarei como um 'outro', não me confundirei com você, por pudor. Respeito sua privacidade, seus segredos. Tenho os meus. Todos tem. Essa história de dividir tudo com os amigos é uma ideia podre, que acaba com qualquer amizade, ela só cria uma cumplicidade ardilosa, tensa, explosiva, venenosa. Eu prometo te respeitar, te honrar, defender sua honra. É tudo isso por que quero ser agradável?
Não, eu simplesmente não concebo a amizade de outra forma. Essa entrega pelo outro, as confidências sempre presentes, abismos compartilhados, tudo aquilo que se obedece até certo limite, o limite da nobre distância... Isso faz parte da minha concepção de amizade. E tenho poucos amigos, a maioria formada por amigos que são tão distantes, são como companheiros de atividades que riem comigo da vida e se divirtem comigo, e me acham engraçado ou abobado. São pessoas preciosas pelo bem que me fazem, pelas alegrias que compartilhamos mas... eu não me revelo a elas, nem mesmo me revelo à distância. Permaneço desconhecido.
Talvez seja por isso que eu tenha tanta dificuldade em manter amizades. Antes e depois da minha fobia social, isso já existia, e voltou. Tenho a impressão que eu passo pela vida das pessoas como uma quente brisa, algo que as conforta e alegra, às vezes incomoda, mas não se sabe de onde veio nem que está ali. Acabo saindo imperceptível e esquecido. Isso é patético e triste de contemplar. E por quê? Pela distância. Sou extremista demais: não posso me aproximar de ninguém com sinceridade sem me derramar inteiro, sem afogar as pessoas na minha miséria, enlouquecê-las com meu suicídio lento e constante, com minhas verdades absolutas e profundidade fingida. Só me restam as máscaras.
Não sou falso. Só não sou tão verdadeiro quanto gostaria. Por medo. Medo de sufocar. E volto a lembrar minha amiga dizendo que quero ser agradável. Quisera ser simples assim! Sou agradável sim. Por dentro e por fora. Só me é difícil dosar a alma que derramo nas minhas ações, palavras e sentimentos. Sou desequilibrado, caótico, perdido e tenho uma personalidade sombria difícil de lidar. Então acordo de manhã e enquanto tomo meu banho fico pensando quantas pessoas não se anulam, se mascaram todos os dias e noites de Deus. Isso me acalma, me dá uma paz gerada pela identificação com a humanidade. Eu pelo menos tenho um trunfo: eu me conheço. Sei o que se passa comigo. Mas será que eu sei mesmo? Duvido muito.
Eu não me considero uma pessoa desagradável. Não, sou até muito agradável. Escuto as pessoas, suas lamúrias, posso ser um ombro amigo muito sincero. E confidente. Sim, seus segredos estão a salvo comigo. Não brinco com seus sentimentos e posso ser leal até a morte. Sou parte de você se você me abrir a porta, mas sempre estarei como um 'outro', não me confundirei com você, por pudor. Respeito sua privacidade, seus segredos. Tenho os meus. Todos tem. Essa história de dividir tudo com os amigos é uma ideia podre, que acaba com qualquer amizade, ela só cria uma cumplicidade ardilosa, tensa, explosiva, venenosa. Eu prometo te respeitar, te honrar, defender sua honra. É tudo isso por que quero ser agradável?
Não, eu simplesmente não concebo a amizade de outra forma. Essa entrega pelo outro, as confidências sempre presentes, abismos compartilhados, tudo aquilo que se obedece até certo limite, o limite da nobre distância... Isso faz parte da minha concepção de amizade. E tenho poucos amigos, a maioria formada por amigos que são tão distantes, são como companheiros de atividades que riem comigo da vida e se divirtem comigo, e me acham engraçado ou abobado. São pessoas preciosas pelo bem que me fazem, pelas alegrias que compartilhamos mas... eu não me revelo a elas, nem mesmo me revelo à distância. Permaneço desconhecido.
Talvez seja por isso que eu tenha tanta dificuldade em manter amizades. Antes e depois da minha fobia social, isso já existia, e voltou. Tenho a impressão que eu passo pela vida das pessoas como uma quente brisa, algo que as conforta e alegra, às vezes incomoda, mas não se sabe de onde veio nem que está ali. Acabo saindo imperceptível e esquecido. Isso é patético e triste de contemplar. E por quê? Pela distância. Sou extremista demais: não posso me aproximar de ninguém com sinceridade sem me derramar inteiro, sem afogar as pessoas na minha miséria, enlouquecê-las com meu suicídio lento e constante, com minhas verdades absolutas e profundidade fingida. Só me restam as máscaras.
Não sou falso. Só não sou tão verdadeiro quanto gostaria. Por medo. Medo de sufocar. E volto a lembrar minha amiga dizendo que quero ser agradável. Quisera ser simples assim! Sou agradável sim. Por dentro e por fora. Só me é difícil dosar a alma que derramo nas minhas ações, palavras e sentimentos. Sou desequilibrado, caótico, perdido e tenho uma personalidade sombria difícil de lidar. Então acordo de manhã e enquanto tomo meu banho fico pensando quantas pessoas não se anulam, se mascaram todos os dias e noites de Deus. Isso me acalma, me dá uma paz gerada pela identificação com a humanidade. Eu pelo menos tenho um trunfo: eu me conheço. Sei o que se passa comigo. Mas será que eu sei mesmo? Duvido muito.
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