Como estou me sentindo nos últimos dias? Sinto-me maduro, adulto. É um grande progresso vindo de quem sempre se comportou como criança, para o bem e para o mal, de quem sempre se orgulhou de agir sem consciência, caoticamente, impulsivamente, tropeçando nas coisas e nas pessoas. Só para sentir remorsos, me rasgar de culpa, corroer minha alma com essas dores, para me levantar e ir vivendo a vida como um palhaço, um fantoche, levado pelo destino e pela vontade do caos. Aí remorsos...
O que mudou? Romantismo. Eu sou romântico, ou pelo menos era, fui por muitos anos. Posso dizer que toda a minha sensibilidade, meu caráter mesmo, foi influenciado pelo meu romantismo, não qualquer romantismo, mas o meu. Seja vendo os finais felizes dos meus desenhos e filmes, séries e livros, muitos romances que me arrancaram lágrimas, eu fui deixando isso me moldar e esse sentimento esteve presente nos meus primeiros delírios de amor. E marcou presença nos anos de decepção, sofrimento pelo amor que eu nunca tive, que nunca existiu. Romântico eu fui nesse tempo todo, seja chorando pateticamente em comédias românticas e em romances que lia exaustivamente, buscando me identificar, na imaginação, com aqueles pobres infelizes e suas dores, alegrias, expansões, medos, esperanças, suas vidas, tão fictícias quanto suas histórias. Narcóticos...
Sim, porque toda essa fantasia era narcótica e se você sai da infância pensando no amor como uma grande brincadeira, que lhe resta? Fantasista, assim me definia. Sonhava por horas com esse amor impossível (que nada tinha de impossível), fantasiava cenas românticas (e impossíveis), finais felizes e caseiros. Minha mente produzia novelas inteiras! Familiar não? Todos nós somos um pouco fantasistas, mas alguns exageram, como o rapaz de Noites Brancas, de Dostoievski. Aquele personagem sou eu cuspido. Impressionante. E o pior efeito dessa doença era o amor que não só era idealizado à estupidez como era retransmitido a todos ao meu redor. Deus sabe quantas me cativaram, por quantos me apaixonei, mas no fundo era só a maldita idealização .
Eu via as pessoas ao meu redor como autômatos, como pequenas peças de um jogo de xadrez, como se elas não vivessem realmente e só eu pudesse enxergar o 'big picture', por assim dizer. Que filosófico! No entanto, passava longe de crítica a ideologias, mas de submissão a uma ordem de coisas, estados e sentimentos, submissão doentia a uma ordem doentia, e toda aquela confusão de sentimentos, de pensamentos, a euforia causada por um devaneio idílico, as decepções dos sonhos despedaçados porque vivia a sonhar e fugia da realidade, que se tornava feia porque eu a FALSEAVA ao enxergá-la com olhos de sonhador, olhos mentirosos, enganosos, incapazes de enxergar a beleza da vida, da existência.
Aquele rapaz das Noites Brancas devia viver esse mesmo inferno. Deixei de querer parecer com ele, deixei de querer sentir dor.
O que mudou? Romantismo. Eu sou romântico, ou pelo menos era, fui por muitos anos. Posso dizer que toda a minha sensibilidade, meu caráter mesmo, foi influenciado pelo meu romantismo, não qualquer romantismo, mas o meu. Seja vendo os finais felizes dos meus desenhos e filmes, séries e livros, muitos romances que me arrancaram lágrimas, eu fui deixando isso me moldar e esse sentimento esteve presente nos meus primeiros delírios de amor. E marcou presença nos anos de decepção, sofrimento pelo amor que eu nunca tive, que nunca existiu. Romântico eu fui nesse tempo todo, seja chorando pateticamente em comédias românticas e em romances que lia exaustivamente, buscando me identificar, na imaginação, com aqueles pobres infelizes e suas dores, alegrias, expansões, medos, esperanças, suas vidas, tão fictícias quanto suas histórias. Narcóticos...
Sim, porque toda essa fantasia era narcótica e se você sai da infância pensando no amor como uma grande brincadeira, que lhe resta? Fantasista, assim me definia. Sonhava por horas com esse amor impossível (que nada tinha de impossível), fantasiava cenas românticas (e impossíveis), finais felizes e caseiros. Minha mente produzia novelas inteiras! Familiar não? Todos nós somos um pouco fantasistas, mas alguns exageram, como o rapaz de Noites Brancas, de Dostoievski. Aquele personagem sou eu cuspido. Impressionante. E o pior efeito dessa doença era o amor que não só era idealizado à estupidez como era retransmitido a todos ao meu redor. Deus sabe quantas me cativaram, por quantos me apaixonei, mas no fundo era só a maldita idealização .
Eu via as pessoas ao meu redor como autômatos, como pequenas peças de um jogo de xadrez, como se elas não vivessem realmente e só eu pudesse enxergar o 'big picture', por assim dizer. Que filosófico! No entanto, passava longe de crítica a ideologias, mas de submissão a uma ordem de coisas, estados e sentimentos, submissão doentia a uma ordem doentia, e toda aquela confusão de sentimentos, de pensamentos, a euforia causada por um devaneio idílico, as decepções dos sonhos despedaçados porque vivia a sonhar e fugia da realidade, que se tornava feia porque eu a FALSEAVA ao enxergá-la com olhos de sonhador, olhos mentirosos, enganosos, incapazes de enxergar a beleza da vida, da existência.
Aquele rapaz das Noites Brancas devia viver esse mesmo inferno. Deixei de querer parecer com ele, deixei de querer sentir dor.
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