quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A ortodoxia de Chesterton e a minha Ortodoxia

Apesar de ser um convertido católico romano, o que mais chama a atenção em Chesterton é ser ele um convertido, e um convertido do ateísmo. É interessante ver como ele desmantela, no seu livro Ortodoxia, muitas das falácias e ideias sedutoras do ateísmo 'científico' e niilista sobre a religião, Deus, liberdade, Igreja. Mais que isso: sua defesa inteligente, bem humorada dos ideais cristãos, da ortodoxia cristã, fora de qualquer relativização.
Não. É ainda mais.

Em Chesterton, a ortodoxia, a fé verdadeira e livre de erros, heresias, sincretismos, mas sempre posta em cheque por sua própria natureza de verdade, aliás, a própria busca da ortodoxia se converte em razão maior da vida, da existência e único fundamento do Todo. Para isso contribuem as visões originais do pensador sobre como vê sua vida, antes e depois de tocado pelas graças da Verdade do Verbo da Vida. Isso é precioso. Porém, a ortodoxia dele é polêmica, é um ultimato vigoroso aos ateus e niilistas de forma geral: vocês não possuem nem a verdade que dizem possuir, quanto mais a verdade mais provável.

Tudo se concentra então no buscar da ortodoxia mais provável, na luta constante e inquieta e terrível, no preparo sempre exigido. Enfim, eu... enjoei dessa ortodoxia. Do racionalismo romano é que estamos falando, claro. É belo em sua simplicidade e garboso em sua elegância, altivez, profundidade. Talvez seja até ardiloso, pantonoso tal caminho.

A minha Ortodoxia é diferente. Ela não dá provas de si, ela se manifesta. A Santa Ortodoxia não precisa da filosofia mais que precisa de uma ajudante, não se submete a ela, nem dela necessita para afirmar sua superioridade aos vãos raciocínios humanos, sua perenidade perante a mudança do mundo, sua beleza estonteante que reflete a Beleza Original, sua perfeição admirável, sua tremenda força e vitalidade advindas do amor do Leão da Tribo de Judá e do Pão da Vida Eterna. Todas essas coisas são meros símbolos que serviram e servem de 'prova', a prova desnecessária da Verdade Ortodoxa, de sua Beleza e Eternidade. Só posso me extasiar diante dela, amá-la, me deleitar com ela, com a minha ortodoxia

A verdade não é obscurantista, ela simplesmente não precisa.de provas, longas discussões, ela está tão acima dessas comiserações! Foi por ela que Cristo me chamou, para ela Cristo me chamou, para contemplá-Lo na Divina Liturgia, vê-Lo manifestado no altar santo, novamente se entregando por nós de forma incruenta.

Simplesmente minha ortodoxia é diferente da de Chesterton, minha conversão foi diferente. Saí das salas de debate,das dúvidas filosóficas para o encontro com o Cristo vivo, Puro, sem mancha, dificuldade, empecilho,  sem peso. E assim consegui a liberdade, na Ortodoxia, que só liberta, e livre do peso da existência, conforta, me salva e me prepara para o combate diário contra o pecado.

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